Este site utiliza cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de navegação. Ao navegar estará a consentir a sua utilização. Saiba mais
Opinião

Vocação à família. Há um amor que nos chama

27 de Janeiro de 2022

Uma solidão original habita o coração do ser humano desde os “primeiros tempos”. No Génesis podemos ler que o homem se sentia sozinho no meio de todas as coisas boas que foram criadas. Por isso mesmo, Deus dá-lhe a companhia da mulher. E assim, os dois, homem e mulher reconhecem-se semelhantes, complementam-se e ajudam-se um ao outro a serem completos e plenos.

A inquietação do homem em saber quem é no meio das suas incertezas é uma constante na sua vida. São incontáveis as vezes que ele procura conhecer ao que está chamado a ser. Por outras palavras: anseia encontrar qual é a sua vocação. Sabe que precisa de amar alguém para se amar a si mesmo. A sua vida é um permanente descobrir, aprofundar e encontrar. Principalmente, encontrar-se a si próprio. E a verdade é esta: a tendência natural de todo o ser humano é procurar o “tu” que faz descobrir o “eu” mais profundo e essencial.

Na nossa vocação original somos confrontados pela procura deste homem ou desta mulher com quem nos podemos relacionar e com a qual tentamos ser melhores pessoas. É com ela que descobrimos o dom do amor original, que aprendemos a amar e a ser amados e compreendemos que somos chamados a uma comunhão. Comunhão que se apoia na decisão de um compromisso conjugal e que se alimenta pela vontade pessoal de cada um, de construir um projeto de vida em conjunto, partilhando o que se tem e o que se é num amor indissolúvel e em fidelidade incondicional. Pelo matrimónio sacramental, os dois, homem e mulher, passam a ser uma unidade de corpo e alma.

Olhando para a vida, o ser humano percebe que cada vocação traz consigo uma missão. De modo concreto, no caso do matrimónio essa missão está ligada à família. Esse encontro de entrega, relação e doação do agora casal consiste na base e no sentido do existir da família. É no seu seio que se vive esse amor sem restrições. Por esse motivo, a família é o lugar digno e desejável para viver os valores de uma forma natural, é o espaço primordial para o amor humano. Trata-se, assim, de um ambiente cujos alicerces estão assentes no amor. E é precisamente o amor dos cônjuges que funda e faz crescer a família.
Ao longo do tempo, este crescimento expressa-se no amor que ambos os pais derramam nos seus filhos e que se completa quando estes são educados nesse amor. Com esta certeza, sentindo-se mais confiantes e fortes, os pais nutrem os filhos, convidando-os a amadurecer, cuidando deles dia após dia sem outra força impulsionadora que não seja o amor. Sem dúvida que esta tarefa deve-se focar em educar os filhos como bons cidadãos e bons cristãos. Mantendo a sua confiança em Deus Pai, perseverando na amizade e intimidade com Jesus, consolando-se na luz e na força do Espírito Santo e aprendendo a ternura com Maria. Desta forma, os filhos aprendem a amar os pais, a amarem-se uns aos outros e a amar todos os outros. E aqueles que amam são felizes porque o amor leva cada pessoa a viver, a crescer e a aperfeiçoar-se a si própria.

Porém, o valor conferido ao individualismo no mundo ocidental está a pôr em xeque a valia atribuída à família. A família tem de ter clara consciência da sua identidade, da sua realidade e da sua meta. Mais, quando percebemos que há um amor que nos chama e que na resposta a este apelo se esconde a nossa razão de viver, tudo o que temos de fazer é partilhar e comunicar esse amor.