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Opinião

Seremos refugiados em Marte?

03 de Junho de 2019

Têm sido divulgados vários estudos sobre o impacto do Homem na natureza. O mais recente foi conhecido esta semana. A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos das Nações Unidas revela que um milhão de espécies animais e vegetais estão ameaçadas em todo o mundo, muitas nas próximas décadas. Estão comprometidos a alimentação, saúde e qualidade de vida. Os investigadores salientam que ainda é possível fazer alguma coisa, mas terá de ser já. O documento da ONU culpa a agricultura e a desflorestação, a exploração direta dos recursos (pesca, caça), alterações climáticas, poluição e espécies invasoras. Sem mudanças na produção e consumo o futuro não é nada brilhante.

Habitualmente, nestas questões do ambiente, pensa-se sempre no que poderão fazer os governos dos Estados e as grandes empresas multinacionais. Mas, na verdade, ao longo das décadas, no passado, fomos mudando a nossa forma de viver e de nos relacionar com a natureza. Distanciámo-nos dela e fomos começando a acreditar que não havia consequências irreversíveis. Veja-se o que pensa Donald Trump sobre as alterações climáticas, por exemplo.

Na casa dos nossos pais e avós, usavam-se guardanapos de pano em vez dos de papel, que passámos a utilizar. Os restos de comida eram dados aos animais ou seguiam para o que hoje se chama compostagem. Comíamos alimentos da época, nem havia outros disponíveis nos supermercados, e muitas vezes cultivados pelos próprios. Muitas coisas mudaram.

O Homem é o principal responsável pelo declínio e destruição do planeta. Quando abandona um território, os animais regressam, por exemplo. Basta ver imagens de Chernobyl com o número de animais em vias de extinção a reproduzirem-se, mesmo naquele ambiente hostil.

Há uns anos, quando começou a reciclagem, foram as crianças a tomar a dianteira. Foi através delas que muitos adultos começaram a separar os resíduos. Recentemente, milhões de jovens em todo o mundo saíram à rua, exigindo ação dos governos. Em muitos locais foram gozados. Para mim, é um sinal de que se preocupam. É um sinal de esperança a que temos de corresponder para o bem de toda a Humanidade.

Qual é a nossa relação com a ecologia e o planeta onde vivemos? Somos seus clientes, exploradores ou guardiões? Como nos comportamos? Como agimos? Nem tudo está perdido. Os investigadores e cientistas têm dito que ainda estamos a tempo de agir. Temos de produzir menos lixo, poluir menos, ter uma agricultura mais sustentável, consumir menos. Cada um terá de ver que mudanças pode fazer na sua vida, na sua casa e na comunidade em que se insere. Se cada der a sua gota de contribuição, haverá um mar de mudanças que farão a diferença.

Precisamos de uma «conversão ecológica», diz o Papa Francisco na Laudato Si’. «A crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior. Entretanto temos de reconhecer também que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspeto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa.» (N.º 217)

Entender o planeta como a nossa casa, uma bênção que nos foi dada (para os crentes), levar-nos-á a vê-lo como bem a preservar, como a um filho a quem amamos muito. No fundo, as duas coisas estão ligadas porque é nesta Terra que os nossos filhos vão viver. Ou será que destruímos este planeta de tal forma que iremos refugiados para Marte?