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Opinião

Ser conservador ou progressista? Optar por ser presentista.

22 de Fevereiro de 2019

Como em qualquer grupo social, também nas pessoas da Igreja há orientações diversas. Umas tendem mais para o futuro, o progresso e as novidades; outras sentem-se melhor no que é tradicional, no passado e nos seus valores. É claro que não há mal algum em ser progressista ou conservador, direitista ou esquerdista, aos mais diversos níveis: social, político, desportivo, litúrgico, eclesial...

O fundamental é o equilíbrio, evitando radicalismos populistas, em que se perde a sensatez e se quebra a unidade. Então passa-se para o extremismo de alguém se considerar dono absoluto da verdade, achando ser imperativo combater os que pensam e agem diferentemente.

Que mal há em ser conservador ou progressista? Será pecado ter saudades do passado? Poderá ser criminalizado quem tem ânsias de futuro? Certamente que não. É um dever social e eclesial facilitarmos que cada um e cada grupo seja livre nos seus gostos, tendências e opções. O meu respeito pelos que divergem de mim credibiliza o que penso e escolho. Fazer guerra às diferenças de julgar e de agir demostra a própria insegurança e só cria radicalismos que levantam muros, quando deveríamos todos construir pontes.

Vêm-me estas considerações a propósito de uma certa onda de oposição ao Papa Francisco. Trata-se de um relativamente pequeno grupo, mas que levanta alto a sua voz, como sendo os puros católicos, nostálgicos de um modelo rígido de ortodoxia, de regras e práticas com a solidez dos tempos dos nossos avós.

Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, nem que seja o Rei ou o Papa. Todos temos o direito de gostar muito, pouco ou nada do perfil e estilo de Paulo VI ou de João Paulo II, de Bento XVI ou de Francisco. Mas o mandamento cristão de amar o próximo é vinculativo: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.» (Jo 15,12) E a obediência eclesial não pode estar vinculada a gostos, modas ou sim/antipatias. Cristo identifica-Se com a autoridade da hierarquia da Igreja: «Quem vos ouve, a Mim ouve; e quem vos despreza, a Mim despreza.» (Lc 10,16)

As vozes que se têm feito ouvir contra o atual “servo dos servos de Deus” Francisco, dão a sensação de inventar a definição dogmática da sua própria infalibilidade. A infalibilidade antipontifícia que nenhum Concílio poderá definir. Parafraseando Santa Teresa de Jesus, a verdade só pode estar na humildade, e não em acusações retóricas como a do Arcebispo Carlo Maria Viganò, exigindo a demissão do Papa Francisco.

Perante os nostálgicos que querem voltar à Igreja do antigamente ou os que pretendem sonhar utopicamente com o catolicismo do futuro, importa ter a coragem de responder aos desafios do presente. É no hoje que habita Deus; hoje é o Belém em que Cristo nasce; hoje é o Cenáculo do Pentecostes do Espírito Santo. Nem conservadorismo nem progressismo. Presentismo.