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Opinião

Qual o sentido?

03 de Setembro de 2019

Para onde caminha, como caminha, em que direção vai esta humanidade que sempre se renova sobre a face da terra?» (palavras do Beato Tiago Alberione num muro da capela das Irmãs Paulinas, em Lisboa).

Qual o sentido da morte, da doença, da vida, do destino humano e animal, da inclinação ou da orientação vocacional, do trabalho e das atividades humanas, dos esforços científicos e das viagens interplanetárias, das descobertas, do presente e do futuro? Faz ou não diferença ser cristão e pertencer ou não à Igreja Católica ou a qualquer outra agremiação ou religião? Tem sentido a guerra, tem sentido a paz? Existe o verdadeiro progresso da(s) civilização(ões)?

Estas perguntas existem, são sérias e cada vez mais interpelativas. É certo que para cada uma há mil e uma formulações bem diferentes, às vezes bem confusas, veladas ou explícitas. O cristianismo é interpelado por cada uma delas, e a pós-modernidade ou os humanismos atuais que fizeram surgir a era pós-cristã levam aquele a refletir e a diminuir ou a recuar, obrigando-o a decidir-se entre abraçar o antigamente, a atualidade problemática escaldante ou os impulsos progressistas das culturas. É um sinal do nosso tempo: após o concílio, foram numerosos os sindicatos, associações ou grupos de estudantes católicos a renunciar às suas particularidades. De "católicos", alguns partidos fizeram-se "cristãos", e de "cristãos" foram vendo ser melhor passar a "democratas".

O Papa Montini falava num «cavalo de Troia na cidade de Deus», os protestantes pietistas temeram ansiosos o fim do cristianismo, o filósofo Jacques Maritain remoeu os seus pensamentos pessimistas no «Paysan de la Garrone» e até um homem informado, aberto e culto como o teólogo e cardeal Hans Urs von Balthasar avisava do mesmo com as suas reticências; e, ainda, L. Bouyer analisava com espírito mordente «a decomposição do catolicismo».

Mas fiquem todos tranquilos: a religião não acabará. Se disso não houvesse provas convincentes, bastaria pensar no caso português até meados do século xx. Entre nós ergueu-se uma armada político-nacional que decretou o fim a prazo da religião e do jesuitismo. Esforço inútil porque se levantou e amplamente se espalhou por toda a Nação o fenómeno das aparições de Fátima em que os próprios detratores foram os melhores propagandistas das maravilhas e dos milagres, embora pela negativa, pelas calúnias e perseguições, não hesitando em fazer de Portugal um Estado terrorista.

Mas por Fátima em 2017 passou o Papa Francisco. Ele teve, não sei se a ousadia, ou a coragem, de perguntar aos peregrinos: «Que Maria?» Com estas breves palavras tão provocadoras logo aí sepultou à vista de todos o tradicionalismo mariológico, tristonho e penoso que era de timbre em Fátima e catapultou a devoção popular mariana em termos vigorosamente modernos e com futuro garantido. E o povo correspondeu com as palmas fervorosas que bateu à breve mensagem pontifícia realmente libertadora.

«Como gostava que o povo conhecesse mais a Igreja Católica por mais um pouco de misericórdia, humanidade e ternura» (no Pentecostes de 2019). A religião do Papa Francisco vai por aqui para dar sentido às perguntas agudas da humanidade.