Este site utiliza cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de navegação. Ao navegar estará a consentir a sua utilização. Saiba mais
Lançamento

22/Fev

«Paternidade humana, reflexo da paternidade divina»

Ficha Técnica
Título: Paternidade humana reflexo da paternidade divina
Autor: José dos Santos Tavares Cabral 
Categoria: Prémio Paulus de Edição
Formato: 14.00 cm x cm 21.00
Páginas: 250

Entrevista a José T. Cabral, vencedor do Prémio PAULUS de Edição 2018, que premeia teses na área da reflexão teológico-cristã em Portugal. «Paternidade humana, reflexo da paternidade divina» é o título vencedor desta edição.
 

 
Qual o objetivo da obra agora publicada?

Esta obra é resultado de um trabalho de investigação elaborado no contexto da conclusão do Mestrado Integrado em Teologia. Diria que o primeiro objetivo deste trabalho foi o de dar-me a mim mesmo algumas chaves de leitura, em sentido amplo, sobre esta situação da crise da paternidade na sociedade contemporânea. Por outro lado, um segundo objetivo, em sentido estrito, foi procurar responder, ou melhor, provocar alguma reflexão sobre alguns aspetos que sabemos estarem umbilicalmente ligados a essa questão da ausência do pai e do masculino maduro na vida familiar e social: a situação alarmante de cada vez mais adolescentes e jovens no mundo da droga, do álcool, da violência; cada vez mais jovens com dificuldades em estabelecer uma relação madura e responsável (no namoro e, consequentemente, no matrimónio) e a própria confusão na identidade sexual de muitos adolescentes e jovens hoje…
 
O papel do Pai na sociedade está subvalorizado?
Sim, eu parto desta convicção. No início sentia a tentação de pegar num autor e, a partir das suas convicções e leituras sobre esta problemática, aprofundar esta matéria. Mas percebi que não era bem isto que eu queria. Ou seja, sentia que não podia ignorar a solidão, a angústia e o «espinho cravado na carne» de tantas pessoas concretas, que conheço e com quem vou convivendo diariamente, e que afirmam nunca terem tido um Pai na vida, razão pela qual vivem, muitas vezes, como órfãos. E por causa dessa ausência, muitas delas procuram essa figura paterna no padre, ou então, noutros mestres que hoje abundam por aí – pois, claro: na ausência da figura do pai, qualquer coisa o pode substituir. E é por esta razão que dediquei alguma atenção à figura do sacerdote, porque parece-me que, também, carecemos hoje de guias capazes de apontar novos caminhos e sublinhar, nos momentos diversos, o essencial da esperança.
 
Que ligação se pode fazer entre a paternidade humana e a divina? Deus, enquanto Pai, também sofre?

A este propósito, há dois pontos no meu trabalho que gostaria de ressaltar: o primeiro é sobre o atributo pai dado a Deus. Quando falamos de Deus como Pai, seja como autoridade, seja como proximidade, com facilidade entramos no reino das projecções humanas, projecções essas que, muitas vezes, são desenvolvidas sobre o molde das experiências positivas ou negativas vividas com o pai que tivemos.
O segundo refere-se à questão do Pai no quadro trinitário. A Santíssima Trindade, como bem nos ensina a doutrina cristã, é uma verdade indubitável, trazida e revelada na Encarnação do Verbo, acerca de um Deus que é uno em essência e trino em pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. A questão do Pai neste quadro é importante, porque se trata da única figura que mais directamente colide com o processo da modernidade, a qual se define pelo seu grande intento de matar o pai. O homem moderno prefere estar sozinho, prefere ser dono do seu próprio destino, não dependendo de nada nem de ninguém. É neste sentido que, a meu ver, a noção da Trindade, que definimos como «comunhão de vida e de amor, de um só Deus em três pessoas», pode expressar-se e expressa-se de forma inconveniente, como uma crítica ante um mundo que prefere fechar-se em si mesmo, absolutizando os seus valores.
 
A figura de S. José ainda pode inspirar os pais de hoje?

No campo teológico a figura de S. José foi, durante muito tempo, subvalorizada. A maioria das reflexões acerca da sua figura e missão tendem mais para um teor de piedade e devocional, do que propriamente teológico-académico. Mas penso que temos muito a aprender com S. José. [As suas] virtudes são humanas e, por isso, podem inspirar-nos diante dos dilemas e das crises, não só da paternidade, como também da própria masculinidade, que atravessam o nosso tempo.
 
O que espera que os leitores retirem da sua obra?
Nesta obra o leitor terá nas mãos algumas inquietações/preocupações que, porventura, são as mesmas das dele, e poderá refletir sobre algumas questões que vão aparecendo ao longo do texto. Não obstante, o apelo final dirige-se a todos, dado que vivemos perante uma batalha que já se iniciou e que tem vindo a distorcer a dignidade de homens e mulheres, a ferir crianças, famílias e a sociedade em geral, uma batalha contra um inimigo oculto, que se mascara com um conjunto de sistemas ideológicos, um ateísmo programático, um relativismo e uma total indiferença. Por isso, todos são convocados e desafiados: homens, em primeiro lugar, mulheres, crianças, as estruturas sociais, a Igreja, etc.
 
Entrevista Ricardo Perna