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Lançamento

22/Jul

«Moinho da memória»

Ficha Técnica
Título: Moinho da Memória
Autor: Carlos A. Moreira Azevedo
Categoria: Pastoral
Formato: 15.00 cm x cm 23.00
Páginas: 248

DO MOINHO DA MINHA CASA
 
Num rosário dalgumas memórias rezadas pelo chiadouro do moinho duma família há lembranças que a vida amontoa e que a dado momento convém passar pelo vaivém dum prelo de imprimir para as avivarmos e manifestarmos aos outros porque marcam a nossa civilização ou são marcas da nossa história. É o caso das narrativas que o bispo Carlos Azevedo, animador dum diálogo de culturas residente em Roma, nos entrega em mais um novo livro cujo título é Moinho da Memória (Paulus 2019).
 
O autor vê nas suas narrativas uns «novos passos em ordem a um futuro novo» que muitos leitores já vivem mas que desconhecem as suas autênticas nascentes, muitas delas em Portugal no que ao nosso País se refere e outras no estrangeiro.

Dentre as mais sugestivas do nosso País temos o fenómeno da «scimia/macaco do Papa» que os Núncios do século XVIII deram ao patriarca de Lisboa por causa dos faustos com que despropositada e desajeitadamente o nosso rei D. João V quis atribuir à «sua» Igreja patriarcal tendo em mira só inventar para a sua corte um «patriarcado» e um respetivo patriarca para ao mesmo tempo o reduzir a um mero capelão da sua casa, contemporaneamente, ao mesmo tempo que continuava a existir na parte oriental da capital um arcebispo para cuidar pastoralmente da parte mais vasta do que ainda hoje resta do Patriarcado de Lisboa. O mesmo também se dava durante finais do mesmo século e inícios do seguinte na diocese do Funchal, mas aqui no senado dos cónegos daquela Sé, devido ao facto se desentenderem e andarem cada vez mais divididos só pela ínfima razão de questões ligadas a precedências, ordens precipitadas e arbitrariamente assumidas por um corpo sacerdotal totalmente embriagado de mútuos ciúmes só por superioridades atribuídas e assim consideradas. Num e noutro caso, era o espetáculo mais anti-evangélico de clericalismo que se poderia imaginar.

Mas também na Igreja portuguesa se apresentaram exemplos mais ou menos esquecidos e bastante luminosos, sobretudo no século XX durante os 40 anos do Estado Novo, e a exacerbação do colonialismo até à revolução dos cravos de 25 abril de 1974. Aí sobressaíram o primeiro bispo da Beira (Moçambique), oriundo da diocese do Porto, D. Sebastião de Resende, e o próprio bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, que Salazar exilou durante dez anos deixando a diocese desprovida, e o episcopado português como que decapitado e o povo cristão bastante ferido. Revelação maior é a da figura do profético bispo missionário na África Oriental, D. Sebastião, que apelidou o Concílio de «espécie de Novo Testamento da época atual» e que nessa assembleia tomou a palavra em quase todas as matérias que se discutiam: liturgia, comunicações sociais, eclesiologia, apostolado e personalidade do laicado na cidadania eclesial devido ao batismo, o ministério presbiteral, missões, ecumenismo e relações Igreja-mundo no famoso 'esquema XIII' da Gaudium et spes.

Um bispo, que ao mesmo tempo, informava continuamente o Povo de Deus sobre o que se passava em Roma através da sua imprensa diocesana, o Diário de Moçambique.

De índole mais universal são as observações que o bispo Azevedo faz acerca do Papa Paulo VI que em 1970 enfrentou o regime de Marcelo Caetano ao decidir receber brevemente os líderes dos Movimentos de Libertação de Moçambique, de Angola e da Guiné-Bissau. 


Texto Pe. Mário Santos