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Opinião

A grande revolução

29 de Junho de 2018

Era proibido falar de Liberdade. Tinha sempre que ver com olhares severos a que se seguia uma série de conselhos untuosos, alertando para os perigos do seu uso. Vinha acompanhada de um mas que lhe tirava a vista e o sabor. Penso às vezes quanto terá Deus ponderado antes de nos entregar a liberdade. Mas deu-nos. A liberdade é nossa. Tudo seria certinho se obedecêssemos aos critérios impostos, controlados pelas autoridades. Bastaria que cada um cumprisse rigorosamente as regras que os homens colocaram em códigos intocáveis. Tudo controlado.

A simbologia que envolve a criação e a evolução do ser humano traz escondida a chave que dá acesso à liberdade, risco maior que o Criador não quis evitar para não perverter o maior dom que havia concedido ao Homem. E com esse traço se desenhou o que melhor define aquele que está acima de todas as criaturas: o que foi criado à imagem e semelhança de Deus. Nós.

Bem sabemos que a liberdade foi e é muitas vezes esbanjada. Testemunhámos ao longo da história os déspotas que a sufocaram como se fossem donos do mundo. Todos sabemos também que o seu uso desmedido gerou as maiores atrocidades que a Humanidade conheceu. Mas também inspirou os hinos mais belos que homens e mulheres entoaram na construção do tempo. Sem a liberdade não haveria sábios nem santos, nem poetas, nem místicos. Nem o amor passaria de instinto ou de uma vaga ideia que o homem nunca compreenderia nem teria capacidade de usar. Sem a Liberdade não chegaria até nós o corpo do amor nem saberíamos entoar a Deus o canto de gratidão por quanto d’Ele recebemos. Nem reconhecer cada maravilha que passa pelas nossas vidas. A liberdade é um caminho aberto para a gratidão, o reconhecimento para ofertar ou receber o mais belo e sublime dos dons que Deus nos deu. Sem a liberdade, o coração não sabe o que é a alegria. Não abusemos, mas usemos longamente a liberdade.

O nosso tempo, recheado de comunicação, é pródigo em oferecer-nos espaços de liberdade. As ciências, as artes, a tecnologia, a evolução, as grandes revoluções no micro e macrocosmos constituem um campo aberto ao exercício do nosso todo só possível aliado à liberdade, mesmo que no nosso dia a dia não demos por isso. Faz parte ontológica do nosso ser. Por isso, é verdade que com a liberdade não se brinca.