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Opinião

Família: esperança e futuro para a sociedade

16 de Julho de 2018

De 21 a 26 de agosto vai realizar-se, em Dublin, na Irlanda, o Encontro Mundial das Famílias. O tema escolhido, «O evangelho da família: alegria para o mundo», é uma proposta a todas as famílias do mundo que se queiram associar a este grande evento organizado pelo Dicastério da Santa Sé para os Leigos, a Família e a Vida. Festejar, rezar e refletir juntos sobre a importância do matrimónio e da família na sociedade e na Igreja é o objetivo deste encontro através de um congresso, um festival e da celebração eucarística presidida pelo Papa Francisco.

A família é a esperança e o futuro da Humanidade. É fundamento sólido do bem comum e não simplesmente uma experiência de relações fluidas ou de vagos sentimentos de “amor”. Infelizmente, subsiste a tentação social e política de reduzir ou eliminar o importante papel da família, fundada sobre o matrimónio entre homem e mulher abertos à vida.

A família, como todo o ser humano, está vocacionada para o amor. Porém, a realidade dramática do pecado pode produzir fraturas profundas e tornar fragmentárias as experiências do amor. E sabemos como só a força do amor autêntico é capaz de curar as feridas do mal e gerar vínculos indissolúveis.

A família é um bem para todos porque é a primeira célula vital do tecido social e garantia contra os desvios individualistas e coletivos. Esta deve estar no centro da vida cultural, social e política, se queremos que seja um fundamento indispensável para o crescimento de cada país, para um futuro de esperança, para uma sociedade mais livre onde os direitos humanos são respeitados.

Contudo, nunca como hoje, pelo menos no contexto europeu, assistimos ao paradoxo da visível invisibilidade da família em âmbitos institucionais. De facto, a família não está representada nas instituições políticas europeias. Aliás, podemos dizer que a União Europeia perdeu quase completamente a ideia de família enquanto relação assente na diferença sexual e em vista à geração. Não existindo uma explícita política social para a família, simplesmente acena-se a um conjunto de despachos que se referem indiretamente ao campo simbólico da família. Mas quando se trata de cuidar de jovens ou anciãos, sem trabalho ou em solidão, a primeira realidade a que se recorre e serve de amortizador é sempre a família.

Na exortação apostólica pós-sinodal sobre a família, o Papa Francisco, logo no início, deixa um olhar lúcido de esperança: «A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja. Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimónio – como foi observado pelos Padres sinodais – “o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto incentiva a Igreja”. Como resposta a este anseio, “o anúncio cristão sobre a família é verdadeiramente uma boa notícia.”» (Amoris laetitia, nº 1) Aliás, são precisamente estes temas que o congresso no encontro internacional das famílias irá abordar e que vale a pena acompanhar.

A Igreja, através das dioceses e das paróquias, das congregações e dos movimentos, tem assumido a família como uma prioridade na pastoral. Muitas têm sido as iniciativas, partindo sempre da reflexão da «Alegria do Amor», documento fundamental para a pastoral familiar.
A PAULUS Editora procura também contribuir para esta reflexão: através da revista Família Cristã que tem este tema no seu ADN e vai acompanhar o antes e o depois do Encontro Mundial das Famílias em Dublin; e através de vários livros publicados especificamente sobre estes assuntos. Recordo, por exemplo, alguns títulos: Uma leitura da Exortação «A alegria do amor», de Maurizio Gronchi; Pensar e decidir em família. O discernimento à luz da «Amoris laetitia», do padre Duarte da Cunha; Preparação para o nascimento. 9 meses com Deus, de Éline Landon; A família que reza no dia-a-dia, de Pietro Fiordelli.

Recolocar a família no centro da vida social e política é abrir portas para a esperança e o futuro da sociedade.