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Opinião

Covid-19 e as urgências da comunicação digital

31 de Março de 2020

O mundo inteiro parou. As portas do templo foram fechadas e os bancos das igrejas ficaram vazios. Os bailes, as festas e os encontros de amigos tiveram de esperar. Num piscar de olhos, os hospitais ficaram cheios, as ruas desertas e silenciosas. Incerteza. Dor. Isolamento.

Onde está a juventude e todo o povo de Deus? Onde estão os intelectuais com suas cátedras e os pregadores com seus púlpitos irrenunciáveis? Onde está a multidão dos líderes apressados, competitivos e insubstituíveis?

As redes sociais tornaram-se a «casa comum» para a humanidade carente de toque e proximidade. Todos estão à espera de consolo, de uma palavra amiga que os liberte do medo e da insegurança.

Neste tempo difícil, nós, apóstolos comunicadores, temos uma palavra de esperança e compaixão para o mundo?  Conseguimos imprimir a «cor paulina» na nossa maneira de estar nas redes? Ou será que, também nós, nos rendemos ao desespero e à paranoia das fake news?

Nesse contexto, vale a pena recordar as sábias palavras do Papa Francisco, na sua mensagem para o XLVIII dia mundial das comunicações sociais de 2014: “neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos... A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas”.

O Facebook, o Instagram, o WhatsApp... estão povoados de periferias existenciais. Basta um olhar desacelerado para perceber, dentro e fora das redes, uma multidão angustiada e ferida à espera de afeto, ternura e compaixão. «Quando souberes chorar», diz o Papa Francisco na Christus Vivit, «então serás capaz de fazer algo, do fundo do coração, pelos outros».

Enquanto «artesãos de comunhão», o que temos de belo e de profundo para oferecer aos sofredores do nosso tempo?