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Opinião

Continuar a apreciar o Papa Bom - S. João XXIII

01 de Abril de 2019

S. João XXIII (1881-1963) foi o Papa, agora Santo, que convocou o Concílio Vaticano ii. No seu Diário da Alma testemunhou: «A minha alma está nestes cadernos mais do que em qualquer outro escrito meu.»

O Papa João xxiii começou aos 14 anos a redigir as suas memórias e terminou a um mês da sua morte o manuscrito a que chamou Diário da Alma (PAULUS Editora, 2013). É um registo espiritual que durou 68 anos!

«Ter sumo cuidado em conservar o formoso lírio da pureza e, para isso, vigiar bem os sentimentos...» é um apontamento do ano 1895 (com apenas 14 anos!), mas que vai marcar toda a sua vida. «Então, eu era um rapazinho inocente, um pouco tímido. Queria amar a Deus a todo o custo e não pensava em mais nada senão em ser padre. Hoje, à distância de 60 anos, dou, por estes meus primeiros escritos espirituais, graças ao Senhor. Depois da minha morte, publica-os», afirmou, voltando-se para o secretário.

Estes manuscritos não são um livro mecanicamente pensado, mas são a vivência de uma alma pura, praticamente impecável (pelo menos no que se refere ao pecado mortal e até venial deliberado): assim durante toda uma longa vida. Quem poderá tranquilamente, nos nossos dias, exibir uma imaculabilidade assim tão cuidadosamente construída e conseguida? Só um santo, como ele o foi, é capaz de fazer solenemente promessa de se conservar puro de todo o mínimo consenso de qualquer pecado venial voluntário, e sendo já homem adulto e bispo, após 25 anos de sacerdócio, pôde agradecer ao Senhor tê-lo preservado de cometer culpas graves e até leves, plenamente deliberadas. Foi assim toda uma vida de obediência, como o aviso dado aos sacerdotes no Concílio de Trento: «Fujam os clérigos até das venialidades que neles representariam uma maior gravidade.»

No entanto, as suas circunstâncias de vida mudaram radicalmente pelo menos oito vezes no decurso de sua existência: seminarista, secretário do bispo, professor e diretor espiritual, primeiro presidente da Propaganda Fidei, visitador e delegado apostólico, primeiro na Bulgária, a seguir na Turquia e na Grécia, núncio em França, patriarca de Veneza, Papa. Sem o querer revelar, nele sempre se notou a sua inalterada serenidade no meio de um meticuloso ardor sacerdotal e apostólico.

Definido o Papa bom, o espetáculo da sua morte foi nada menos sugestivo que uma missa papal. Cobriu a morte de beleza! Levou a dizer que era bonito morrer assim. Como foi tudo isto possível? Porque foi um grande sacerdote! À sua morte aconteceram coisas maravilhosas. A paz floresceu em muitas casas. Muitos filhos pródigos decidiram reabilitar-se dos seus erros encontrando novamente o hábito da oração aprendido na infância. Muitos decidiram aproximar-se dos sacramentos.

Este volume dá-nos a chave do mistério da sua alma sacerdotal que fez vibrar as almas do seu tempo.