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Opinião

Apoiar os nossos idodos

10 de Fevereiro de 2020

Antes das eleições, li com atenção os programas eleitorais dos principais partidos candidatos à Assembleia da República. Quase todos apresentavam soluções para apoiar as famílias com os seus filhos: alargamento de licenças, creches gratuitas ou acordos com instituições já existentes para vagas em creches e jardins de infância, etc. Mas nem todos apresentavam propostas sobre os idosos.

Tenho acompanhado vários casos de famílias “desesperadas”, ou melhor desorientadas sem saber o que fazer para apoiar os seus idosos. Em muitos casos, felizmente, os nossos pais e avós podem ficar nas suas casas, vivendo autonomamente. Continuam a fazer a sua vida normal, cozinham, tratam de si e da sua casa, passeiam, continuam a frequentar a paróquia e a servir a comunidade, em tantos casos. Isso é ótimo e creio que desejável.

Nem todos os casos são assim. Muitas pessoas ficam mais isoladas seja por dificuldades de locomoção ou por quebra de laços sociais, distância física de familiares, etc. Por outro lado, os casos de demência aumentam cada vez mais entre a população idosa. Cada família, quando há, procura as melhores soluções para os seus mais velhos. Acredito nisto. E é muito difícil não só emocionalmente mas também em termos práticos.

Quem não lida com estes temas talvez não saiba, mas há muitas zonas do país (eu conheço várias) em que é muito mais difícil encontrar vaga em lares ou centros de dia do que em creches ou jardins de infância. As instituições de apoio aos idosos estão a “rebentar pelas costuras”, sem espaço para mais pessoas e com listas de espera enormes. Quando há vagas os preços praticados nos lares são assustadores… Quem consegue pagar um lar de mil euros ou mais? E ter uma pessoa em casa a acompanhar não fica muito mais barato, pode até ficar mais caro. Encontrar quem faça esse trabalho é outro bico de obra. Há quem possa ficar em casa e despedir-se? Os apoios definidos pelo novo estatuto do cuidador informal ainda são insuficientes…

É importantíssimo apoiar as famílias para terem mais filhos. Por um lado, porque os estudos indicam que muitas querem ter mais do que realmente têm e não conseguem por variadas razões. Por outro lado, é essencial para o país ter mais crianças, pelo nosso futuro enquanto nação, pela esperança e alegria que nos trazem, e em última instância (para alguns será a primeira) até em termos económicos. Mas não podemos esquecer e abandonar os nossos mais velhos que são em cada vez maior número. Não são um peso para as famílias nem para a sociedade. Não são a “peste grisalha” como se chegou a dizer no passado recente. São nossos. Que vamos fazer coletivamente? Ou fazemos como a avestruz e enfiamos a cabeça debaixo da areia?