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Opinião

A santidade é uma vocação diária

11 de Março de 2022

Várias confusões têm minado uma adequada compreensão sobre a santidade. Uma das razões são as tentações do mal. Um dos argumentos diz respeito a levar-nos a pensar que a santidade de vida é só para alguns. O que o tentador astuto nos faz é semear a dúvida de sermos ou não capazes de a alcançar. Tantas vezes paramos, bloqueamos e pensamos que é assim! Mas a verdade não é esta.

A vocação à santidade é uma chamada universal, que tem estado presente em todos os períodos da história da Igreja, desde a época apostólica até aos dias de hoje. É para ti e para mim. Sim, é isso mesmo, todos somos chamados a pertencer à Igreja, qualquer que sejam as nossas condições ou estados, atividade ou profissão. Notem como a santidade é um tema importante na Bíblia. Mais, é um dom gratuito de Deus e uma tarefa para todos, sem excluir ninguém. São Paulo, numa das suas primeiras cartas escrita na cidade de Corinto, dirigida aos Tessalonicenses, não podia ser mais claro «Esta é [...], a vontade de Deus: a vossa santificação» (1Ts 4,3).

Impressiono-me, particularmente, como ainda algumas pessoas não fazem a associação de que aspirar a ir para o Céu é o mesmo que batalhar para ser santo. Afinal, os santos não estão no Céu? Em todo o caso, acredito que para ser santo é necessário aceitar de forma livre e humilde a graça de Deus e contribuir com o nosso esforço de maneira a permitir sermos transformados por Ele. Complicado? Talvez, no entanto, compreendo que vale a pena. Afinal, estamos a falar em ser feliz e alcançar o objetivo final: a vida eterna.

S.S. o Papa Francisco diz-nos que o essencial para uma vida santificada é ser-se firme e ligado a Deus, um Deus que nos ama e sustenta. Verdade seja dita, ninguém nasce santo, porém, fazemo-nos santos pelo caminho. Dadas as más inclinações do Homem, a maioria das vezes requer esforço, sacrifício e muitas vezes sofrimento. Estas são as frentes de batalha onde a maioria das lutas podem ser ganhas ou perdidas.

Esta luta pela santidade tem lugar na cabeça, no coração e na força de vontade. Ou seja: primeiramente, o coração é influenciado pela capacidade de entender, a inteligência; depois, dá ordens ao corpo através da capacidade de querer, a vontade. Sintetizando, trata-se do processo pelo qual pensamos, aprendemos, raciocinamos, recebemos Deus, compreendemos as coisas d’Ele, e finalmente respondemos-Lhe. Procuramos, pois, Deus com cada fibra do nosso ser, dizemos sim, de forma livre e voluntária, sem reservas e permitimos que a graça de Deus nos transforme na imagem do seu Filho – Cristo Nosso Senhor.
Com efeito, é o próprio Deus que nos conduz à santidade depois da nossa livre adesão. Ele nunca nos diria para sermos santos sem nos dar a ajuda necessária para uma vida de santidade. Seguir a sua vontade, o seu caminho, requer a ajuda da graça, uma vez que o Homem, por si só, não o consegue fazer. Somos todos muito imperfeitos. Por essa razão, Deus envia o seu Espírito aos nossos corações para fazer em cada um de nós uma obra completa e minuciosa.

Convém, pois, não nos esquecermos que temos ao nosso lado o Espírito Santo. Afinal, Ele é chamado o «Espírito de santidade» (Rm 1,4). Ora, é esta força interior que se vai desdobrando nas nossas vidas enquanto caminhamos, todos os dias, que nos ajuda a amar muito e a procurar fazer a vontade de Deus e a ser o que Ele quer que sejamos, santos!