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Opinião

A alegria da conversão

26 de Março de 2018

«A vida do cristão é um contínuo caminho de conversão! Esta frase, tantas vezes ouvida e pregada, ficou-me a murmurar ao ouvindo depois de um não-crente me ter dito que para ele a conversão era uma espécie de autojustificação e consolação para os cristãos que não conseguem mudar e que se desculpam com este conceito.

Antes de mais, tornamo-nos cristãos pela certeza interior de que o Espírito nos faz reconhecer a voz d’Aquele que nos chama à vida. Somos cristãos sempre que ouvimos e nos deixamos conduzir pelas palavras de Cristo e atualizamos os seus gestos e ensinamentos na nossa vida. Vivemos como cristãos quando, reconhecendo o nosso pecado, acolhemos a graça do perdão e esforçamo-nos por melhorar.

Também é verdade que não é fácil convencer todos os cristãos de que a conversão conduz à alegria. Contudo, Jesus, mostrou que a Boa Nova leva à conversão.

A conversão de que falo é um encontro e não apenas um exame de consciência, é uma festa e não tristeza, é um abraço e não uma sentença. Em vez de entrarmos em nós próprios e fazermos apenas um inventário das nossas culpas, deveríamos sair de nós próprios e dirigirmo-nos a Deus, para descobrir até que ponto ignoramos o seu amor, a sua alegria e o seu perdão. A boa nova que nos é anunciada é que «os pecados são perdoados».

A nossa sociedade está construída sobre a justiça, os tribunais, as multas e punições, as prisões. Ainda estamos muito ligados ao conceito pagão e oriental segundo o qual o pecado deve ser «expiado» para ser perdoado. Mas Jesus revela que o pecado deve ser perdoado para poder ser reparado! A Humanidade e as sociedades acabam por se assemelharem ao deus que adoram; se a nossa sociedade é repressiva, se existem tantos juízes, tantos julgamentos, tantos tribunais (que ainda por cima funcionam lentamente), tantos presos, é porque nos tornámos semelhantes ao deus que «julga os vivos e os mortos». Sacralizámos o juiz e a sentença, em vez de divinizar a misericórdia e o perdão. O nosso tribunal da penitência torna-se testemunho de Deus quando demonstramos que a verdade e o perdão são mais saudáveis que o castigo, que é preciso sair do círculo vicioso da vingança, da lógica do mal pelo mal. Esta atitude foi constante na vida de Jesus: fazer do injusto um justo, do pecador um santo, do endemoninhado um homem livre, do cobrador de impostos um discípulo, da prostituta uma nova mulher. Por aqui passa a conversão de cada um de nós: um encontro quotidiano com Aquele que ama perdoando e perdoa amando.