Opinião

Violência e autoridade

21 de Maio de 2015

A crescente violência a que temos assistido deixa-nos espantados e incrédulos, levando a que se multipliquem os debates sobre este fenómeno, alertando para as implicações culturais, sociológicas, antropológicas e políticas da questão.

A tendência a minimizar, e por vezes a negar, ou a enfatizar episódios de violência tem o significado de defesa generalizada da comunidade e de proteção do que é "nosso". Mas a questão da violência é tão articulada e evasiva, por vezes tão difusa e radicada nos comportamentos individuais e coletivos, que se torna urgente definir claramente o que é violência.

É fundamental deixarmos de olhar para certos comportamentos violentos considerando-os apenas reações «de cabeça quente» ou modos de expressão juvenil. A autoridade que se retirou aos professores e educadores em matéria de correção e punição, em nome do "pedagogicamente incorreto", traz consequências nefastas no sentido do respeito pela autoridade e aceitação da correção. Quando são os próprios pais e autoridades a não darem o exemplo de respeito e acato nas mais variadas circunstâncias, não serão os filhos a autoeducarem-se nesta matéria.

Perante a violência sem sentido, os adultos, os investigadores das ciências humanas e sociais, os juízes, a polícia de segurança pública, são chamados a dar um significado e a intervir com bom-senso, repropondo a interligação entre o comportamento e os afectos, entre as acções e os seus efeitos, entre os direitos e os deveres, entre as regras e os limites.

Faríamos bem todos em dar mais atenção aos nossos gestos e palavras, porque a violência na sociedade é uma extensão dos comportamentos individuais.