Opinião

Tempo da Quaresma

09 de Março de 2015

Ao iniciar um novo ciclo do Ano Litúrgico, é sempre bom refletir sobre o que nos pede de especial este tempo. Ao longo dos próximos quarenta dias, que antecedem o tríduo pascal, vivemos o tempo da Quaresma, que enfatiza principalmente a penitência, a oração e a conversão. De facto, este é um tempo privilegiado para o exame de consciência, para uma meditação profunda sobre a nossa vida, as nossas ações, o nosso modo de ser cristão.

Segundo os Santos Padres, a Quaresma é um período de renovação espiritual, de vida cristã mais intensa e de destruição do pecado, para uma ressurreição espiritual que marca na Páscoa o reinício de uma vida nova em Cristo ressuscitado. É o momento em que todos os cristãos devem pensar no seu discipulado, na maneira como vivem e seguem o ensinamento de Cristo, sempre em vista de uma conversão constante.

Quarenta dias é o tempo que agora cada um de nós tem para enfrentar o seu próprio deserto, para fazer a sua caminhada de libertação e conversão, para encontrar Deus e ouvir a missão que Ele nos reserva. Quarenta dias é o tempo que temos para fazer jejum e penitência, é a oportunidade de refletirmos sobre a nossa caminhada cristã, de prepararmos o nosso coração para o mistério da fé, para acolhermos a ressurreição de Cristo e promovermos a nossa transformação interior.

Quarenta dias é o tempo que temos para dar uma resposta concreta ao Papa Francisco que na sua mensagem para a quaresma deste ano nos convida a vencer a indiferença. O mundo vive uma "cultura da indiferença" que é preciso ser combatida e superada. Por isso cada cristão, cada comunidade e a Igreja no seu conjunto é convidada pelo Papa a ser uma "ilha de misericórdia no meio do mar da indiferença".

Iniciamos um percurso de quarenta dias. Mais um, é verdade, mas é mais uma oportunidade para fazermos a diferença e com Cristo trilharmos um caminho rumo à Ressurreição, pois só é possível experimentarmos a alegria da vitória e da vida plena se fizermos a experiência da dor, do sofrimento, da renúncia e da derrota. Diante do prémio anunciado por Cristo, quarenta dias de penitência e conversão são muito fáceis de ser vividos.

Não recusemos este convite que Deus nos faz, mas procuremos viver bem o tempo da Quaresma, com um propósito concreto e solidário.