Lançamento

26/Mar

Somente os doentes se curam

Ficha Técnica
Título: Somente os doentes se curam
Autor: Luigi Maria Epicoco
Categoria: Reflexões
Formato: 20.00 cm x cm 12.50
Páginas: 120

O Pe. Luigi Maria Epicoco, autor do livro Somente os doentes se curam, é um sacerdote italiano de 37 anos, filósofo e pároco em Roma, na paróquia universitária de San Giuseppe Artigiano. Depois de uma experiência pessoal marcante, decidiu refletir sobre a forma como a dor nos obriga a recentrar no que é importante, e como Jesus nos pode ajudar a isso.
 
– O que o motivou a escrever este “tratado” sobre os discípulos de Emaús?
Este livro nasceu como uma reformulação pessoal de um momento difícil na minha vida. O encontro com a dor obriga-nos quase sempre a lidar com as coisas que são importantes. Os discípulos de Emaús representam o melhor exemplo nesse sentido. Eles também entraram em confronto com o “escândalo da cruz”, e tiveram de repensar as suas vidas a partir daquela “tragédia”. No entanto, eles não perceberam que a sua “reelaboração” já era a Páscoa. Jesus está ao nosso lado de forma oculta e acompanha-nos no “repensar”, para descobrir “o significado das Escrituras”, que é o significado não só do texto sagrado, mas também de todos os eventos da nossa vida. Então eu comecei a escrever este livro para “perceber” o que eu não podia ver.
 
– Para quem é este livro dirigido?
Destina-se a quem quiser ter tempo para ler as suas vidas novamente. Na verdade, o texto não foi pensado como uma narrativa, mas sim como uma série de provocações que constantemente remetem às nossas experiências pessoais. Se alguém disser no final que “o livro é bonito!”, está realmente a fazer um elogio a si mesmo, porque cada página e cada palavra neste livro servem apenas para reentrar em si e para perceber que a história da Páscoa está escondida nas nossas histórias pessoais, que às vezes se parecem mais com a Sexta-Feira Santa do que com a própria Páscoa. Há beleza nas coisas que percebemos como contraditórias de nós mesmos e do que experimentamos.
 
– Porquê o título? É um livro apenas para aqueles que estão doentes?
O título é retirado do Evangelho. «Não é o saudável quem precisa do médico, mas o doente», «Eu não vim para o saudável, mas para os doentes.» Ninguém pode entender Cristo se não aceitar primeiro a sua própria fraqueza, a sua própria necessidade, a sua própria fragilidade. Viver a fazer-se de forte, saudável ou justo não só nos torna infelizes, mas, acima de tudo, torna-nos incapazes de levar a sério a mensagem de Cristo. A primeira coisa que uma pessoa doente deve fazer para se curar é aceitar estar doente. Neste sentido, apenas o enfermo se cura. Mas a “doença” em questão é a nossa Humanidade. Só aqueles que concordam em ser humanos é que podem entender algo da vida.
 
– A jornada de descoberta que os discípulos de Emaús fazem pode ser feita por qualquer um de nós hoje?
Cada um de nós pode fazer a mesma viagem. Nesse sentido, o livro está idealmente dividido em duas partes. A primeira parte pode ser lida mesmo sem a necessidade do dom da fé. E a segunda parte só pode ser lida a partir da fé. Eu criei deliberadamente dois caminhos que estão em continuidade, seguindo o mesmo caminho que Jesus fez com os discípulos de Emaús. Na primeira parte da história do Evangelho, Jesus tenta intersectá-los na sua crise, na sua inquietação. Só depois é que Se revela pelo que é. Mas, em ambos os casos, é sempre Ele que opera.
 
– No prólogo, afirma-se que às vezes o caminho é mais importante do que a chegada. Mas um caminho bem feito sempre proporcionará um objetivo de vida melhor...
Eu escrevi isso para dizer que o caminho muda-nos. Fazer uma jornada muda-nos. Para alcançar um objetivo, nós mudamos. E essa mudança às vezes parece a verdadeira razão pela qual vale a pena viajar.


Entrevista: Ricardo Perna