Opinião

Parecem inofensivos, mas são muito viciantes

11 de Novembro de 2016

Tornou-se cada vez mais habitual ocupar os tempos de espera em momentos de entretenimento com jogos de telemóveis. No autocarro ou no metro, nas salas de espera de clínicas ou de cabeleireiros, nos cafés e até nas filas dos serviços públicos e dos cinemas. E não são só os jovens e os homens a ficarem cada vez mais viciados. As jovens e as mulheres também estão a ser conquistadas por estes jogos aparentemente inofensivos.

Por exemplo, o jogo Candy Crush Saga já tem 93 milhões de pessoas que todos os dias procuram juntar e destruir obsessivamente os rebuçados que se apresentam com as mais variadas cores e formas. Mas qual o segredo deste sucesso? A resposta está nos fatores psicológicos escondidos nos rebuçados coloridos que têm um grafismo elementar e que estimulam continuamente o nosso cérebro. Quem o diz é Fabrizio Piciarelli, especialista de Marketing Digital, que analisa este fenómeno num artigo da Family and Media.

E mais. Este jogo está construído sobre a estimulação contemporânea das cinco principais emoções humanas: frustração, gratificação, curiosidade, desejo e divertimento. A sua dependência, e de muitos outros semelhantes, está precisamente na estimulação constante, sobretudo do binómio frustração-gratificação, que faz descarregar a adrenalina e experimentar satisfação e, por outro lado, recordar as emoções e desejos escondidos da infância que existem em cada um de nós.

O problema, a meu ver, não está apenas no perigo do vício mas também na alienação e falta de tempo e vontade para a reflexão e a interioridade. Se não sou capaz de estar sossegado a pensar e a refletir, não serei capaz de me relacionar com os outros. «A solidão cada vez mais frequente hoje na nossa sociedade prepara um terreno fértil para este tipo de dependências, a que infelizmente ninguém consegue fugir se não tiver um autocontrolo de defesa e de disciplina dentro de si», conclui o autor do artigo.