Opinião

Pais presentes

09 de Fevereiro de 2015

A mensagem do Papa Francisco aos pais, «Sejam presentes na vida dos vossos filhos!» é uma chamada de atenção importante para todos os pais que se entregam ao trabalho, às aparências e que transformam os filhos em objetivos.Compreendo que o tipo de sociedade que temos potencia que surjam muitos casos assim. As tecnologias que temos à disposição também "aliviam" a responsabilidade aos pais que querem estar descansados e um computador, uma consola ou a própria televisão são excelentes "amas", tanto do ponto de vista dos pais como dos filhos.

É verdade que há muitos casos de pais ausentes e a disponibilidade que temos de aceder à informação certamente também torna todos esses casos bastante visíveis.
E provavelmente, tomando o mundo como um todo, poderá ser esse o estado em que se encontram as coisas.

Mas alegro-me por ver que, pelo menos na realidade que tenho à minha volta, pais e mães são, hoje em dia – e com todas as dificuldades e exigências de uma sociedade a viver a um ritmo alucinante – pais presentes, atentos e pais brincalhões.

A começar pela figura masculina. Os pais de hoje, até num maior número do que antigamente, querem, exigem e são presentes na vida dos filhos. Dão banho, mudam fraldas, tomam conta, usufruem de licença parental e brincam com os seus filhos.
Também é verdade que antigamente havia mais mães totalmente presentes em casa, mas do que observo, não se pode dizer que, no geral, as mães não são presentes.

Na vida em família, vejo pais e mães com preocupação em encontrar programas coletivos, com atividades em que todos possam participar, preocupam-se em arranjar passeios ao ar livre, pois as crianças não brincam na rua como nós o fazíamos, sozinhos!

Recordo-me também, por exemplo, que no meu tempo de aluna havia muitos pais que faltavam a reuniões da escola. Nas reuniões a que assisto hoje, contam-se pelos dedos de uma mão as ausências.

Os portugueses são, orgulhosa e felizmente, bons exemplos nesta matéria, é uma verdade. As crianças portuguesas estão no centro das atenções das famílias.
Mas penso que esta realidade é um pouco transversal à sociedade ocidental.

Mais do que uma crise de ausência, penso que muitas vezes há uma crise na hierarquia de valores e prioridades, por assim dizer. No fundo, trata-se de um problema da sociedade no geral e não dos pais em particular.

A sociedade alterou a sua escala de valores e passou a atribuir mais importância a umas coisas do que a outras, e isso revelou-se negativo.
Os pais, por exemplo, com o fantasma do autoritarismo e dos traumas das crianças, nas últimas gerações passaram do oito ao oitenta, da autoridade a uma quase ausência de limites e isso refletiu-se nas recentes gerações de adultos, que muitas vezes se debatem com dificuldades em lidar com contrariedades.

Esse ainda é um problema que nos afeta, o de darmos prioridade a valores mais frágeis e que não dão estrutura às crianças. Mas acredito que os pais também se vão dando conta disso e estão a tentar, lentamente, mudar. Provavelmente só conseguiremos constatar isso nas futuras gerações de adultos, mas acredito que, a longo prazo, poderemos ter uma agradável surpresa.

Fonte: familiacrista.com