Opinião

O colo de Deus

24 de Julho de 2015

Há dias ouvi isto da minha filha mais velha, para a mais nova: «Não podes ir à festa da tua amiga, porque são os anos da prima X e a família está sempre em primeiro lugar, porque é o mais importante.»

Ainda fiquei parada a pensar se teria usado essa frase uns dias antes ou se ela teria ouvido em alguma série de desenhos animados, porque estava tão bem articulada que mais parecia uma "frase feita". Mas ela continuou: «É o aniversário, não podes não ir porque queres ir a outro lado. Ela ia ficar triste.»

A inteligência e os valores são os meus botões de mãe orgulhosa. Mas aqui não foi só o orgulho a falar. Foi a felicidade. Fiquei feliz por ela, por elas! Porque a família que têm lhes permite dizer que é o mais importante sem a mais pequena dúvida. Fiquei feliz porque sentir-se-ão sempre protegidas... e seguras! Mesmo que por alguma infelicidade o pai ou a mãe não estivessem presentes para elas. Há mais. E elas terão sempre alguém para quem possam correr, seja para as ajudar a levantar-se ou para saltar de felicidade com elas.

Ainda antes disto, numa outra altura em que assistíamos a uma reportagem sobre pessoas sem-abrigo, perguntaram-nos as duas porque é que os senhores não tinham casa. Ao explicarmos, a primeira pergunta que fizeram foi se não tinham família. «Ninguém, ninguém? Estão sozinhos?»

Não entrando na análise das circunstâncias e complexidade que envolve as pessoas e as suas famílias e ficando pela realidade mais simples de duas cabecinhas com menos de oito anos, imagino o espanto que lhes causou saber que há pessoas que não têm a quem recorrer. Porque elas têm, pelo menos, uma mão cheia.

E que grata sou por isso!

Recorrendo à mensagem do Papa para o Dia das Comunicações Sociais, a família é o lugar principal de comunicação, de doação ao outro, de encontro.

Confesso que quando fiz a primeira leitura do texto pensei: «Sim, a mensagem é muito bonita, mas não é uma revolução de novidades. Claro que a família é o lugar privilegiado da comunicação e da doação!»

A privilegiada sou eu que sei isto por experiência vivida e que tomo como dado adquirido. A privilegiada sou eu, que também no meu círculo de amigos, é a esta realidade de doação que assisto.

Finalmente, a privilegiada sou eu que posso olhar para a minha família como o colo de Deus e ter a certeza absoluta de que, como Ele, estarão sempre lá.