Opinião

02/Set

Cem anos de graça

Um século para Deus é como um dia que passou, para a Sociedade São Paulo e para a Família Paulista é um tempo de graça, para todos é um tempo em que só Deus sabe o bem que foi feito através da nossa pregação escrita, audiovisual e digital.
Tudo começou, oficialmente, com a Escola Tipográfica Pequeno Operário, no dia 20 de Agosto de 1914, memória litúrgica de São Bernardo de Claraval, abade e doutor da Igreja.
Porque foi escolhido aquele dia é o próprio Fundador, o Beato Tiago Alberione, quem o explica: «Precisamente sobre o olhar do santo abade de Claraval, a mente e o coração do séc. XII, Deus fazia nascer os religiosos da boa imprensa. E Deus quis-nos bem. São Bernardo é o doutor da vida religiosa e os operários da boa imprensa devem ser ricos do espírito religioso; ... São Bernardo é doutor e coluna da Igreja, e a boa imprensa é ministério ordinário da Igreja que torna conhecida a Revelação. São Bernardo deu alma à vida do seu século, e esta é a missão da Boa Imprensa: informar todo o homem sobre o Evangelho» (La primavera paolina, p.222)
Desde então toda a sua vida foi gasta ao serviço do Evangelho, pondo a render o carisma que tinha recebido de Cristo.
Somos cerca de mil Paulistas em todo o mundo, presentes em 40 países nos cinco continentes, em 112 comunidades, com 235 livrarias, editoras multimédia, faculdades de comunicação, rádios e televisões,webpages e ebooks.
São muitos os testemunhos de santidade que a Sociedade São Paulo tem. Paulistas que viveram e deram ao mundo Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, dedicados ao apostolado, semeando na comunicação e com a comunicação as graças de Deus para a humanidade.
A estratégia de evangelização dos paulistas passa por não ficar à espera que as pessoas se aproximem da Igreja mas de levar a Igreja até às pessoas através da comunicação. Aqui reside a originalidade do nosso carisma, todos os meios são utilizados não como material de apoio ou substitutos da pregação mas como verdadeira pregação, complementar à pregação oral. E esta leva-nos a traduzir nas linguagens e formas de comunicação a integralidade da nossa fé e as dimensões da existência humana interpretadas pelos valores evangélicos.

31/Mar

O fenómeno Irmã Cristina

Tornou-se viral nas redes sociais a participação de uma freira, Ir. Cristina Scuccia, na edição italiana do programa televisivo «The voice». A sua voz, simplicidade, espontaneidade e alegria deixaram o público (na maioria jovens) em delírio e os júris boquiabertos. Um dos júris, J-Ax, cantor rap e pop, que agora será o seu "mentor" no programa, ficou emocionadíssimo e não parava de chorar com as palavras da concorrente. Vale a pena recordar alguns dos diálogos:


«És realmente uma freira ou ...»
«Sou uma freira a sério.»
«Como é que vieste parar aqui ao "The voice"?»
«Eu tenho um dom que vo-lo dou, certo? É assim que deve ser.»
«Tu cantas aos domingos na igreja?»
«Claro que sim.»
«Se eu te tivesse encontrado quando era pequeno e ia à missa, certamente teria continuado e agora seria Papa...»
«O que achas que dirão no Vaticano por teres vindo ao "The voice"?»
«Não sei. Mas provavelmente irei receber um telefonema do Papa Francisco. Porque ele diz-nos que é preciso sairmos para evangelizar. E Deus não nos tira nada; pelo contrário, dá-nos tudo.»
«Eu ainda não acredito no que estou a ver, tens uma energia fantástica, és incrível.»

Penso que estes 8 minutos televisivos são uma parábola clara do que é a nova evangelização: estar presente na vida social; apresentar-se com simplicidade, espontaneidade, alegria; falar de Deus sem medo nem vergonhas; responder com humor e numa linguagem calorosa; partilhar com os outros os dons que temos.

É mesmo verdade que Deus não deixa de suscitar mulheres e homens corajosos e audazes que continuem a testemunhar o seu amor pela humanidade.

Tem razão o Card. Ravasi quando diz: «É, portanto, necessário voltar a reescrever o conteúdo da mensagem cristã com a mesma originalidade cogitada por Jesus, mas dentro das novas gramáticas comunicativas.» (
Seguil'O no Caminho, Paulus Editora)