Opinião

JMJ: O Amor como arma contra o terrorismo

21 de Julho de 2016

No próximo dia 26 de julho, tem início a XXVIII Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, na Polónia. Dez dias depois do atentado terrorista em Nice, reúnem-se numa cidade europeia centenas de milhares de jovens com o Papa Francisco. Dias de festa, que todos esperam não sejam ensombrados por uma catástrofe semelhante.

Ninguém na organização se lembrou de cancelar o evento, obviamente. E há dias, em conversa com uma jovem que irá participar, que tem familiares em Nice, ela dizia-me simplesmente: «o Senhor precede-nos, não é? Há que confiar». É com esta fé que todos se vão dirigir a Cracóvia, para mostrar ao mundo que a paz é possível, quando para tal caminhamos.

Esta não deve ser, contudo, a postura da organização e das forças de segurança. Há que vigiar, controlar e fazer de tudo para que situações como aquelas não sucedam. Quem participar tem de mostrar que o medo não ganha, venha de onde vier. Quem organiza tem de garantir que, de facto, o medo não irá prevalecer, e que todos os que tentarem promovê-lo irão ser capturados e julgados rapidamente e sem hesitação.

Espalhar o medo e a incerteza é o objetivo dos terroristas. Não creio que o autodenominado Estado Islâmico queira vir apoderar-se da Europa, ou que o consiga. Mas tenho a certeza que pode instalar o medo de tal forma na população europeia que ela se autodestrua, e permita que lá, onde verdadeiramente lhes interessa estar, eles consigam dominar sem oposição.

É também por isso que estes encontros mundiais da juventude, em nome de Deus, são tão importantes. Mostram que não há medo, mas confiança. Mostram que é possível construir um caminho de paz e entendimento entre povos de diferentes nações, unidos na mesma fé. Mostram que o amor pode vencer, apesar de todas as contrariedades. E, acima de tudo, permitem pôr em uso a grande arma para acabar com o terrorismo e o fundamentalismo: a educação no Amor.

A única forma de acabar com o terrorismo é educando as pessoas no amor um pelo outro, independentemente da sua religião. Pode parecer lamechice, mas é a verdade. Nenhuma força de segurança ou exército em todo o mundo conseguirá impedir para sempre ataques terroristas, pois não conseguem guardar todos os locais turísticos de igual forma, sem gerar um sentimento de medo e insegurança que, eventualmente, se voltará contra as próprias forças de segurança. A solução é prevenir o aparecimento de terroristas, e isso faz-se com essa educação para o amor. Em Cracóvia, estarão centenas de milhares de jovens a viver intensamente uma semana de alegria, convívio e fé. De todos aqueles, eu aposto que nenhum deles alguma vez chegará a ser terrorista.