Opinião

Família e eleições

25 de Agosto de 2015

Há algumas décadas que a sociologia anunciou a morte da família "tradicional" e muitos factos e decisões concretas podem documentar que esta se vai debilitando progressivamente. Acrescente-se ainda as persistentes tentativas culturais e dos meios de comunicação, com apoios legislativos, que deslegitimam a família e frequentemente a descrevem como um lugar de tragédias e infelicidade. Os slogans que dizem que existem mais delitos nas famílias do que nos crimes organizados são de facto uma atitude de quem quer desacreditar a família e negar os seus valores humanos e espirituais.

A família é um grande recurso para o crescimento da pessoa humana, da sociedade e da missão da Igreja. E não é verdade que as famílias estruturadas sejam poucas, porque muitas das nossas famílias ainda são verdadeiros oásis e lugares de crescimento e estabilidade humana; são uma segurança nas dificuldades e fazem ver a beleza dos valores familiares.

É fundamental que hoje as famílias saibam o que são e o que valem, que se unam para dar razões dos valores familiares e reajam contra as outras instituições que querem empobrecer e destruir a instituição família. Tanto os principais jornais e canais televisivos como as produções cinematográficas continuam a propor uma visão de família distorcida, que assenta apenas nos sentimentos e paixões e desresponsabiliza de qualquer empenho e sacrifício. Já a Exortação Apostólica Familiaris Consortio sublinha o que é fundamental: «A família tem a missão de se tornar cada vez mais aquilo que é, ou seja, comunidade de vida e de amor, numa tensão que, como para cada realidade criada e redimida, encontrará a plenitude no Reino de Deus» (nº 17).

Em tempo de campanha eleitoral, faríamos bem em dar atenção ao que os partidos dizem sobre políticas familiares e exigir que estas não sejam ultrapassadas por prioridades meramente económicas, ideológicas ou populistas. O verão e as férias não podem fazer esquecer uma realidade vital como esta.