Opinião

Escolheremos o amor

02 de Fevereiro de 2016

A cobardia tem rosto, infelizmente demasiados rostos. Não podemos e não queremos esquecer os atentados de Paris, como não esquecemos o 11 de setembro, o Quénia, Beirute e todos os homicídios gratuitos como o do jornalista sírio há 2 dias.Mas não os vamos carregar como feridas abertas. As nossas feridas vão sarar e passarão a ser mais um conjunto de cicatrizes que exibiremos orgulhosamente, porque teremos sobrevivido às dificuldades.

Essa é uma das diferenças entre corajosos e cobardes. Não há lugar a feridas e a cicatrizes quando se fala de cobardia e de ignorância. Quando se é motivado pelo ódio, não há nada para aprender, nada para sarar e nada para regenerar. Não há nada de que se orgulhar, não há superação, não há martírio nem heroísmo.

Em todas as tragédias, por cada «alma morta», há centenas (só para não me chamarem exageradamente otimista) de almas boas que ganham força.

Porque é o amor que move montanhas e que faz o mundo avançar. Nunca o ódio.

Tenho a certeza de que as dores e as vidas que ainda choramos hoje nos vão facilitar o estender de mãos e o abrir de braços. Porque somos mais bons do que maus, em número e em traços pessoais.

Ao Homem, que é bom,importa honrar a vida dos que a perderam por motivo nenhum. E a melhor maneiraque temos de honrar alguém é amando mais, a sua memória e o seu legado, egarantindo que essa morte não foi em vão nem serviu os interesses de quem acausou.

A coragem nunca foia ausência de medo, foi sempre a sua superação.

E há alguma dúvidade que somos corajosos?

É impossível termos dúvidas quando sabemos que no meio das vítimas mortais há heróis que o são porque deram a vida por quem estava à sua volta; é impossível termos dúvidas quando um viúvo nos garante que não cederá ao ódio e que ensinará ao filho o amor; não há lugar para a desconfiança quando alguém abre a porta da sua casa para acolher dezenas de feridos ou quando alguém ficou ferido porque tentou ajudar quem já não se conseguia proteger sozinho; sabemos que a vitória é do amor e da esperança quando um pai tranquiliza o filho dizendo-lhe que as flores vencem as armas.

Nós escolheremos sempre o amor.