Lançamento

16/Fev

As inquietantes perguntas do Evangelho

Ficha Técnica
Título: As inquietantes perguntas do Evangelho
Autor: Ermes Ronchi
Categoria: Sobre a Bíblia
Formato: 14.00 cm x cm 21.00
Páginas: 156

Abramos este pequeno livro do Pe. Ermes Ronchi, As inquietantes perguntas do Evangelho – Meditações propostas ao Papa Francisco e à Cúria Romana. É uma oportunidade para fazermos uma leitura de meditação diretamente sobre o Evangelho. A obra proporciona-nos a mesma experiência espiritual que o autor fez viver diretamente ao Papa e aos seus colaboradores da Cúria Romana durante a Quaresma de 2016.
 
O pregador, da Ordem dos Servos de Maria, comparou o Papa e a Cúria Romana que o escutavam a uma fonte pública, na qual toda a gente pode beber. «Será que somente tu tens de ficar de lado, cheio de sede? Nunca te prives daquilo a que tens direito. “O estrangeiro não deve beber”, assim está escrito. Serás tu esse estrangeiro? E se és mau contigo mesmo, com quem serás bom? Então, lembra-te de entrar em ti mesmo: não digo sempre, nem digo demasiadas vezes, mas, pelo menos, por uma vez. Todos se servem de ti, serve-te de ti também.» (Cf. São Bernardo, Considerações l. V, c. 5)

São perguntas meditadas, repensadas, algumas vezes transformadas, sobretudo no discorrer das meditações, mas sempre perguntas que estão nos quatro evangelhos. O autor diz-nos que Jesus é um mestre de perguntas, longe de ser um pregador pouco recomendado que enfastiava. Longe disso. Jesus não falava como os escribas ou os fariseus do seu tempo. Jesus é originalíssimo. Fala a partir de Si mesmo, da exuberância da sua vida interior. É um mestre espiritual que começa e procede por perguntas ao povo que O escuta com agrado, distinguindo-O muito bem do conjunto dos pregadores do seu tempo.
Mas Jesus não faz retórica. As perguntas que Jesus faz nada têm que ver com a arte retórica tão comum e explorada nas literaturas antigas, quer gregas, quer latinas. O autor deste livro explica-nos muito bem que o método de perguntas que Jesus fazia e usava era como uma bomba que podia rebentar dentro de qualquer consciência, porque está escrito que Deus até tem poder de suscitar das pedras filhos de Abraão (cf. Lc 3,8). Afirmou o Papa ao pregador (como se pode ler na introdução deste livro): «Partindo de algumas perguntas essenciais que Jesus dirigiu aos seus ouvintes, Vossa Reverência ajudou-nos a reentrar em nós mesmos e a discernir as necessidades mais autênticas do nosso percurso existencial e sacerdotal.»

E disse-lhe mais: «A nossa aproximação às palavras do Divino Mestre favoreceu a nossa oração, o colóquio coração a coração no qual se escuta a Deus que fala e, orando, Lhe respondemos com a abertura sincera do nosso ânimo. Mais uma vez, o Espírito Santo conduziu-nos ao “deserto” para nos plasmar, para suavizar as montanhas das nossas resistências, para desfazer os ângulos das nossas obstinações e assim abater os muros das nossas desconfianças».

No fim dos exercícios, o Papa disse ainda ao pregador, com bom humor e em tom de despedida: «Padre, eu queria agradecer-lhe, em nome de todos, pelo seu trabalho, pelas meditações, pela sua paixão. Não se poupou, deu-nos imenso. E gostaria ainda de sublinhar a sua insistência de ler o Evangelho e, também, de sonhar o Evangelho. Às vezes pensamos que o sonho é uma fantasia, como pintar o céu de azul. Mas não é; o sonho é outra coisa. Precisamos de coragem para sonhar, da coragem que os santos tiveram. Penso na coragem de São Francisco Xavier, às portas da China, para chegar lá... E isto lembra-me um servidor humilde da Cúria, que há vários anos, sobre a escrivaninha e à frente do sacrário, luta pelo mesmo sonho. Na Cúria, padre, há sonhadores. Há-os. Mas eu pergunto: o que aconteceria se na Cúria todos nós nos permitíssemos sonhar um pouco mais? Creio que deveríamos chamar os bombeiros! Agradeço-lhe tanto, padre, e permita-me dar-lhe um conselho: esteja atento com os exemplos e com as anedotas, porque desde o dia em que Vossa Reverência nos contou aquela história dos três noviços que queriam fazer falar o velho monge, com o vinho, e que o monge disse, depois de três copos: «Aqui está Deus, além deste, não...», percebi que o consumo de vinho à mesa aumentou notavelmente!... Obrigado, padre. Obrigado.»

Texto Pe. Mário dos Santos