Opinião

As férias de Deus

11 de Julho de 2014

Com o final do Ano pastoral a suceder-se um pouco em todas as paróquias do país, é tempo das merecidas férias e descanso para as crianças. Em muitas paróquias, não é incomum ouvir da boca dos sacerdotes o aviso prudente. «Meninos, só porque estão de férias da catequese, não se esqueçam de vir à missa, ou de rezar a Jesus, pois a fé não mete férias», ouve-se um pouco por todo o lado.

A preocupação é real: durante as férias, as igrejas esvaziam-se de pessoas, principalmente das crianças da catequese e dos seus pais. Desaparecem sem rasto para voltarem, religiosamente, para o início do ano pastoral em setembro. Cumprem a rotina da catequese, mas esquecem a rotina do espírito. O alimento espiritual que a eucaristia proporciona e que nós, enquanto católicos, afirmamos querer receber, não "mete férias". Tal como o corpo, que precisa de alimento constante, também o espírito necessita de tal alimento. Na paróquia ou no local de veraneio, as igrejas continuam abertas e a eucaristia continua a celebrar-se, mas sem crianças. E porquê? Porque os pais não vão com os filhos à eucaristia. Muitas vezes, porque os próprios catequistas também deixaram de ir, e os pais, que nunca ficavam com os seus filhos na eucaristia, não têm onde os deixar.

De que serve a um pai querer que o seu filho seja educado numa fé na qual ele afirma que acredita, mas que não professa? Pode uma mãe exigir ao seu filho que vá à missa, que comungue, que se confesse, quando ela fica fora da igreja na conversa, ou não frequenta a eucaristia dominical? Com que propósito?

A sociedade encontra-se num ponto de viragem. Somos ensinados hoje a agir sem levantar ondas, sem darmos testemunho, sem nos fazermos notar. E o mesmo se passa com a religião. Os pais têm a fé suficiente para porem os seus filhos na catequese, na esperança de que os catequistas os eduquem, mas esquecem-se que a primeira catequese é em casa, e que é lá que se deve dar a verdadeira educação na fé, principalmente através do exemplo.

É tempo dos pais decidirem o que querem que o futuro dos seus filhos seja. Se querem que Deus tenha uma oportunidade de entrar na vida dos seus filhos, como parecem dizer ao coloca-los na catequese, então precisam de tornar Deus presente nas suas próprias vidas também.

Este verão, não ponha férias de Deus. Leve os seus filhos à igreja, reze com eles em casa. A fé cresce onde é alimentada, não onde passa fome...