Opinião

A verdade do Natal

14 de Dezembro de 2017

Preparar e viver o Natal é fazer uma viagem de regresso às raízes da nossa fé, através de uma atitude interior de grande humildade – como o ambiente em que Cristo nasceu (na gruta de Belém). No centro do Natal não está apenas uma doce e dramática história familiar, explorada pelo consumismo, de um casal que procura hospedaria para o Filho de Deus. No centro do Natal reside o mistério fundamental do cristianismo, a Encarnação, em que Deus Se veste da fragilidade humana para a salvar. Escreveu a propósito o filósofo Soren Kierkegaard: «Os dois mundos desde sempre separados, o divino e o humano, entraram em colisão em Cristo. Uma colisão não para uma explosão, mas para um abraço.»

A vida humana não teria sentido se Cristo Salvador não tivesse encarnado e redimido a humanidade. Aqui está o verdadeiro significado do Natal. E que nem sempre é fácil descortinar no meio de tantos slogans natalícios tão apelativos. Mas no espírito do Natal encontramos a luz da nossa existência porque na manjedoura do presépio já se encontra a sombra da cruz. Natal e Páscoa estão ligados como um único acontecimento do mesmo mistério. Um mistério de salvação, um mistério de nascimento, de morte e ressurreição, um mistério de alegria que o medo não consegue apagar.

Diz São Paulo: «Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo.» Não será esta a verdade do Natal? O homem traz dentro de si o espírito filial, o desconcerto desta adorável presença e pertença divina: presença de um Deus que Se fez homem não apenas para viver em nós e participar no nosso quotidiano, mas também para poder dar sentido à nossa vida, dar-nos uma força que nos eleva, uma esperança que vai para lá da brevidade da nossa existência. Somos de Cristo. Há séculos que a Humanidade pertence a Cristo.

No Menino que nasceu em Belém esconde-se o mistério de Deus que Se aproxima de cada ser humano a ponto de ter um rosto e um corpo de homem. Desde aquele momento que temos um Deus «Emanuel», isto é, um «Deus connosco» e a viagem da nossa vida é «with God on our side» (com Deus ao nosso lado), como diz Bob Dylan, prémio nobel da literatura.