Opinião

«A Igreja nunca esteve tão bem»

24 de Novembro de 2013

Há uns meses, dirigindo-se ao clero de Roma, o Papa Francisco afirmou com grande confiança e entusiasmo: «Eu ouso dizer que a Igreja nunca esteve tão bem como hoje. A Igreja não cai: estou seguro disto, estou seguro!»

À primeira vista poderíamos dizer que esta afirmação é fruto do excesso de otimismo do novo Papa. De facto, fala-se muito em crise da fé, em perda de espaço para outras confissões religiosas, em secularismo, no crescimento de pessoas sem fé, em casos de pedofilia, escândalos e tantas outras coisas negativas.

Entretanto, se tivermos um olhar atento e universal veremos que a maior parte das afirmações contra a fé e a Igreja não passam de estereótipos e preconceitos, vindas em geral de um pequeno (mas poderosos) grupo que quer ferir e combater a Igreja para salvaguardar os seus interesses obscuros.

A realidade mostra que o Papa Francisco tem toda a razão no que diz. Os dados do Anuário Católico, por exemplo, mostram que nos últimos 10 anos o número de fiéis aumentou mais do que a população mundial. Também aumentaram o número de seminaristas, padres e bispos no mundo. Se a Igreja da Europa está em crise, a Igreja da Ásia, da África e da América está em visível crescimento e com projetos de grande valor que fazem realmente a diferença na construção de uma sociedade justa e igualitária. A Igreja, especialmente o Papa, é a única voz serena e equilibrada em muitos temas. Os pronunciamentos sobre a paz, a ética, a família, os valores e tantos outros temas são sérios e atuais, por isso são sempre referência no debate universal.

O próprio contexto da cultura digital oferece mais oportunidades do que ameaças à Igreja. Se por um lado não dá privilégios à Igreja e põe a fé ao pé de igualdade com diversas outras crenças e filosofias, por outro não é um ambiente hostil, como foi o período iluminista, ou o comunismo. Permite à Igreja resgatar elementos das suas origens como o testemunho sincero; ou a organização horizontal, colegial, fraterna, de comunhão e proximidade.

Penso também que nunca a Igreja esteve tão organizada e atenta às necessidades do mundo como agora. Nunca fez tanta caridade. Nunca esteve tão disposta a expor as suas fragilidades a fim de resolver os seus problemas. Nunca esteve tão unida na defesa dos seus valores e doutrina. Nunca teve os seus membros tão livres para expressarem as suas opiniões. Nunca esteve tão próxima do povo. Nunca valorizou e deu tanto espaço à sua base, os leigos. Nunca esteve tão convicta. Enfim, depois do período dos Apóstolos «nunca esteve tão bem como hoje». Por isso concordo plenamente com o Papa Francisco.