Opinião

A devoção a São Paulo

14 de Fevereiro de 2014

A Família Paulista reconhece e venera São Paulo apóstolo como protector e fundador. Esta é a vontade de Deus manifestada com sinais claríssimos ao Pe. Tiago Alberione. A este propósito escreveu:
AD - «Esta segunda história [a história do MISERERE] produziu nele persuasão e faz dela uma profunda oração viva: todos devem considerar como pai, mestre, modelo, fundador somente São Paulo apóstolo. Ele o é de facto. Por meio dele nasceu; por ele foi alimentada e cresceu; dele tomou o espírito. Quanto à sua pobre carcaça: ele cumpriu alguma parte da vontade divina; mas ele deve desaparecer da cena e da memória, também porque, por ser o mais idoso, teve que tomar do Senhor e dar aos outros. Como o sacerdote que, acabada a missa, depõe a casula e permanece o que é diante de Deus».
CISP 1152 - «Ele construiu para si a Sociedade de São Paulo, da qual é o Fundador. Não foi a Sociedade de São Paulo que o escolheu, mas foi ele que nos escolheu; mais ainda: gerou-nos: «In Christo Iesu per Evangelium ego vos genui». Se São Paulo fosse vivo continuaria a arder numa dúplice chama, de um mesmo incêndio, o zelo por Deus e o seu Cristo, e pelos homens de todas as nações. E para se fazer ouvir, subiria aos púlpitos mais elevados e multiplicaria a sua palavra com os meios do progresso actual: os meios de comunicação».
O que é a devoção a um santo? A devoção exprime a relação de toda a pessoa com um santo, escolhido como amigo ou protector da própria vida. Em geral, essa relação é contínua, duradoira, e engloba toda a vida espiritual e apostólica. É esse «estilo de vida» que evoca o santo protector.
Hoje fala-se de presença, que é um termo mais actual, preferido ao termo devoção, do qual toma todo o significado, mas adquirindo um sentido mais amplo: indica não apenas a nossa devoção ao santo, mas também o interesse do santo por nós.
Dadas as intervenções que São Paulo realizou na vida do Pe. Alberione, pode-se falar, em sentido estrito, de «presença» essencial do Apóstolo na vida da Família Paulista. [«São Paulo é o santo da universalidade. A admiração e a devoção começaram especialmente com o estudo e a meditação da Carta aos Romanos. Desde então, a personalidade, a santidade, o  coração, a intimidade com Jesus, a sua obra na dogmática e na moral, a marca deixada na organização da Igreja, o seu zelo por todos os povos, foram argumentos de meditação. Pareceu-lhe verdadeiramente o Apóstolo: por conseguinte, todo o apóstolo e todo o apostolado poderiam haurir dele. A São Paulo foi consagrada a Família Paulista. A São Paulo deve também ser atribuída a cura do Primeiro Mestre» (AD 64).
«Ele não é simplesmente protector, mas é também fundador». O Pe. Alberione explica:  [«O mais sentido agradecimento vai para Jesus, Mestre Divino, no seu Sacramento de luz e de Amor; à Rainha dos Apóstolos nossa Mãe e de todos os apostolados, a São Paulo Apóstolo, que é o verdadeiro fundador da Instituição. De facto, ele é seu Pai, Mestre, exemplo e protector. Ele fez para si esta família com uma intervenção tão física e espiritual, que nem sequer agora, pensando bem nisso, se consegue perceber bem; e muito menos se consegue explicar. Tudo é dele, dele, o mais completo intérprete do Mestre Divino, que pregou o evangelho às nações e chamou as nações a Cristo. Dele, cuja presença na teologia, na moral, na organização da Igreja, na adaptabilidade do apostolado e até à consumação dos séculos. Tudo moveu, tudo iluminou, tudo nutriu; foi guia, ecónomo, defesa, apoio; em todos os lugares onde se estabeleceu a Família Paulista. Não é questão de escolher um protector para uma pessoa ou instituição; não fomos nós que o escolhemos; foi São Paulo que nos escolheu a nós. A Família Paulista deve ser São Paulo vivo hoje, segundo a mente do Mestre Divino; operando sob o olhar e com a graça de Maria, Rainha dos Apóstolos» CISP 147].  Por isso a relação de todos nós com São Paulo deve ser viva e constante.
Esta devoção deve dar um tom próprio e visível, palpável a toda a vida espiritual e ao apostolado.
 
Actualidade de São Paulo
 
A presença de São Paulo, «homem extraordinário entre os extraordinários na Igreja», é especial e única:
 
a) São Paulo exerce um magistério absolutamente especial através das suas cartas, que ainda continuam a ser  algo vivo e palpitante (o Concílio Vaticano II cita-o nos seus documentos 647 vezes). E não menos actuais são a sua vida, as suas viagens apostólicas e os seus discursos recolhidos por São Lucas nos Actos dos Apóstolos.
 
b) Actual é a sua doutrina, que «permeia toda a teologia dogmática, ilumina a moral e tem partes determinantes em pontos essenciais da liturgia», (CISP 611).
 
c) É actual pelo apostolado. Ele é modelo de todo o apostolado da Igreja; o seu amor a todos os povos e a todo o homem é exemplar; foi fundador e organizador  de Igrejas e pai de comunidades» (CISP611). O Pe. Alberione explica mais em pormenor:
 
«São Paulo apresenta-se como o Doutor das Gentes: “Doctor Gentium”. Considera-se a sua universalidade não apenas em relação aos povos, mas também quanto ao saber. Nas suas cartas e mais ainda no seu ministério, ele dá directrizes para as pregações: é o “Pregador da verdade em todo o mundo”; é o “Mestre”, como ele mesmo se declara. Ele é o intérprete mais fiel da doutrina do Evangelho, que apresenta a toda a humanidade e que se aplicam a todas as necessidades individuais, familiares e sociais.
A sua doutrina está inserida em toda a teologia dogmática, ilumina a moral. A sua acção apostólica fixou, de acordo com o pensamento do Mestre divino, a organização prática da Igreja. A Sagrada Escritura fala não só aos contemporâneos do agiógrafo, mas dirige-se também a todos os homens de todos os séculos. No estudo da Teologia dogmática, ascética, moral, pastoral, encontra-se a cada passo os textos de S. Paulo. Acerca destas matérias ele, Mestre e Doutor, soube dar-nos os seus ensinamentos. Por isso à sua volta se posicionam e ficam bem: São Jerónimo, S. Bernardo, Santo Alberto Magno, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, São Boaventura, São Francisco de Sales, Santo Afonso, S. Gregório Magno, Leão XIII, João XXIII, que o propôs aos sacerdotes como modelo nos cuidados pastorais) [CISP 611].
Todos estes luminares da Igreja citam S. Paulo.
 
d) Para o Beato Tiago Alberione, a actualidade de Paulo evidencia-se sobretudo pelo facto de ele ter fundido em si mesmo «santidade e apostolado»: São Paulo é um daqueles santos que dia após dia rejuvenescem, impõem-se e conquistam; porquê? É preciso procurar a razão disso na sua vida interior. É aí que está o segredo.
 
e) É actual porque, além de pregador é também escritor: usou o género epistolar, realizando, em primeiro lugar, o apostolado com os meios de comunicação social de então.