Opinião

60 anos da Família Cristã

16 de Dezembro de 2014

Seis décadas passaram, mas o objetivo permanece o mesmo, expresso pelo seu fundador, o beato Tiago Alberione: «A FAMÍLIA CRISTÃ não se destina a falar de religião cristã, mas a tratar de tudo de forma cristã.»

Foi a 25 de dezembro de 1931 que saiu o primeiro número da revistaFamiglia Cristiana, a edição italiana que viria a inspirar as de diferentes línguas daquela que se tornaria a publicação católica mais difundida no mundo, com dois milhões de exemplares semanais.

Com o mesmo fim de alimentar a vida cristã das famílias, foi lançado, há 60 anos, também em vésperas de Natal, o primeiro número da FAMÍLIA CRISTÃ.

Seis décadas passaram, mas o objetivo permanece o mesmo, expresso pelo seu fundador, o beato Tiago Alberione: «A FAMÍLIA CRISTÃ não se destina a falar de religião cristã, mas a tratar de tudo de forma cristã.»

A edição portuguesa beneficiou do percurso desbravado pela intuição dos sacerdotes paulistas, pioneiros no mundo da comunicação católica, que, no começo na década de 50, mudaram o estilo daFamiglia Cristiana, tornando-a num órgão de informação não só religiosa mas também cultural, política e social. Sem prejuízo da sua linha editorial católica, para se conseguir impor no mundo da imprensa em geral, foram dotando a revista com os mesmos meios e o mesmo rigor das publicações de nomeada internacional, conquistando, no período de uma década, um espaço de enorme destaque.

O Pe. Xavier Boano inicia a edição portuguesa seguindo as pisadas ainda frescas das mudanças que vão acontecendo no mundo do pós-guerra e em que se começavam a sentir os ares pré-conciliares da necessidade de informar e formar o povo cristão, facultando-lhe a possibilidade de lidar com a Palavra de Deus. Procurou desde o início seguir a "linha editorial" de São Paulo, passando para as páginas da nova revista a leitura da realidade na perspetiva cristã em que «tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor seja objeto dos vossos pensamentos» (FL 4,8).

Quando nos anos 1980 perguntaram ao Pe. Leonardo Zega o significado das mais de duas dezenas de fotografias de recém-nascidos afixadas num quadro do seu escritório, o então diretor da Famiglia Cristiana italiana respondeu tratar-se das fotos que eram enviadas pelas mães dessas crianças. Num gesto de agradecimento, decidiram presentear o diretor da revista que, graças à publicação de respostas a cartas de leitores, comentários e inúmeros artigos, mudaram de forma decisiva os seus pensamentos, quando, em momentos de dúvida, de angústia e de desespero, ponderavam a possibilidade terminar a existência de uma nova vida que nelas se gerara.

Bastaria a vida de um ser humano para justificar todo o trabalho, tempo, recursos humanos e materiais dedicados a levar por diante esta obra considerada de inspiração divina e interpretada por quem soube ler os sinais dos tempos. São, por isso mesmo, os valores cristãos e o esmero profissional a servirem de coordenadas que balizam todo um trabalho reconhecido pelos testemunhos de leitores e a nomeação para prémios de jornalismo.

É nossa obrigação e desejo que destas páginas brotem centelhas de luz da Palavra Encarnada que matizem o coração dos que vivem nas trevas da dor, da solidão, da desmotivação e da incerteza.

Nesta quadra festiva, desejamos – com as palavras de há 60 anos, mas atuais, do Pe. Xavier – que «se no mundo nunca brilhará a paz completa, por efeito de vontade nos indivíduos e nos povos, procuremos, porém, que o Natal não seja vão para cada um de nós em particular, para a nossa família, para o nosso país».

Votos de Santo e Feliz Natal para todos os leitores.